Não existe
uma sapatilha de ponta que seja ideal para todas as bailarinas, a melhor
sapatilha depende das características próprias dos pés, da força muscular e da
experiência que a bailarina tem para dançar nas pontas. Assim, a sapatilha que
sua amiga ou professora achar que seja a melhor para ela é melhor para um não
necessariamente será a melhor para você e para todas as outras pessoas. E se
uma bailarina profissional usa determinada sapatilha isso não significa que
aquela sapatilha seja a melhor do que as outras.
A escola
errada de uma sapatilha, além de prejudicar a bailaria tecnicamente, pode levar
a sobrecargas nos músculos e articulações e provocar lesões. O mau alinhamento
do corpo devido ao uso de uma sapatilha inadequada pode gerar sobrecargas não apenas
nos pés, mas também nos joelhos, quadris e coluna. E sempre que uma bailarina
estiver se queixando de uma dor nestes lugares deve ser passado se a sapatilha
que ela está usando está adequada.
O pé da bailarina
O pé possui
um arco natural que pode ser maior ou menor de acordo com a pessoa. Quando o
arco é maior, o pé é chamado de cavo, e quando o arco é menor ele é chamado de
plano. Bailarinas com pé cavo tendem a ter maior flexibilidade do pé,
facilitando o exercício na ponta. E de modo geral apresentam um colo mais
acentuado do que aquelas que têm pés planos.
Os pés podem
ainda serem do tipo egípcio, grego ou quadrado. Pés egípcios são aqueles em que
o dedão é maior do que todos os outros dedos, pés gregos apresentam o segundo
dedo maior do que os demais, e o pé quadrado apresenta os três dedos
aproximadamente do mesmo tamanho. Além disso, os pés quadrados tendem a ser
mais largos e com menor mobilidade na região metatarsiana, e os pés gregos e
egípcios tendem a ser mais estreitos e com maior mobilidade neste local.
Técnica
Antes de mais
nada, é importante entender que os exercícios de ponta devem ser feitos de forma natural, não
adianta subir na ponta e quando estiver na ponta dos pés não ser capaz de fazer
nada. Assim, no começo a bailarina deve usar uma sapatilha que seja fácil de
subir e ficar na ponta. Bailarinas mais experientes geralmente têm mais força
no pé e maior facilidade para fazer os exercícios, podendo então trocar para
sapatilhas mais exigentes tecnicamente. Tentar usar estas sapatilhas desde o
começo, além de prejudicar as condições físicas das bailarinas, irá
frustrá-las, uma vez que terão dificuldade mesmo para os exercícios mais
básicos.
Características das sapatilhas
As principais
características que as bailarinas devem levar em conta na escolha da sapatilha
são a altura da gáspea, a largura do Box, a largura da forma e a rigidez da
palmilha. Outras características como os tipos de costura e o formato do decote
influenciam na estética da sapatilha, mas não devem ser os fatores prioritários
da escolha.
Altura da gáspea e rigidez da palmilha
Quando mais
alta for a gáspea e mais dura for a palmilha, maior a rigidez da sapatilha e
mais força será necessário para subir na ponta e para realizar exercícios de
elevé e relevée, desta forma bailarinas iniciantes devem escolher sapatilhas de
gáspea mais baixa e palmilhas mais flexíveis. Bailarinas mais experientes podem
escolher sapatilhas de gáspea mais alta ou mais baixa e palmilhas mais duras ou
mais flexíveis, de acordo com o gosto
pessoal e com estilo da dança que está sendo ensaiado ou apresentado. Danças
que envolvem muitos saltos exigem maior flexibilidade da sapatilha, e danças
como um pás-de-deux ou que apresentam muitos giros e movimentos mais lentos
exigem sapatilhas mais rígidas e que sustentem melhor o pé.
Largura do box
As sapatilhas
podem ter palmilhasser mais largas ou mais estreitas eno Box mais largos ou
mais estreitos, e o uso de cada tipo de sapatilha deve depender do formato do
pé da bailarina. O importante é que a sapatilha se adapte bem ao pé, e a
bailarina não sinta o pé nem muito solto nem muito apertado.
Por: Dr. João de Hollanda,
ortopedista especializado em traumatologia do grupo de ortopedia de Hospital
Santa Casa de São Paulo.